domingo, 26 de maio de 2013

Contra Tudo e Contra Todos


A sensação é essa ! Quando penso nas possibilidades do tão esperado título nacional em 2013, este sentimento de estar lutando contra o mundo me domina.
O desafio é imenso ! O que esperar de um clube que ao término da primeira rodada, ainda não sabe onde jogará a segunda ? Não sabe onde mandará seus jogos ! Um clube com sérias dívidas, salários atrasados, com dificuldade para honrar patrocínios negociados com base nos espaços publicitários existente em seu estádio interditado, que não pode contar com a cota de televisão, que depende do programa de sócio torcedor. Programa este que depende de um torcedor que não sabe para qual aeroporto seguir, caso queira assistir seu time jogar.
Qualquer analista esportivo vai dizer que um clube com este cenário não pode almejar muita coisa em um campeonato tão equilibrado como o nosso. E quer saber ? Eles estão certos ! Ou melhor, estariam se não estivéssemos falando do Botafogo. Os problemas administrativos e financeiros são inúmeros, imensos, desanimadores, mas não são maiores que nosso clube, este luta dia após dia para sobreviver !
E luta com raça, talento e disciplina. Fomos campeões carioca de forma brilhante enfrentando, além dos adversários, todos estes problemas. Tudo por causa de um grupo de jogadores unido, apesar das diferenças, inteligente, talentoso e experiente.
O problema é justamente que este grupo está prestes a sofrer um dos piores golpes e talvez não resista a ele. Um golpe que vem de onde menos se esperaria: de dentro. De quem teve a visão e qualidade para montar uma equipe capaz de blindar-se aos problemas extra-campo, mas não consegue enxergar que este não é o momento para abrir mão de um dos fatores essenciais dessa mistura perfeita. Não é o momento para vender o Dória.
Sei que precisamos do dinheiro, desesperadamente, sei que sem conseguir pagar os salários em dia, tudo pode desmoronar,  eu sei ! Mas sei também que se desfizermos nossa zaga neste momento, a zaga, que é justamente o diferencial entre este time e o do ano passado, tudo irá desmoronar, com certeza !
Sendo assim, imploro que se ache uma outra opção para fazer entrar dinheiro. Vender jogadores não é a solução. O que faz um clube grande são resultados e conquistas. Estas sim darão visibilidade aos patrocinadores, levarão torcedores ao estádio, dinheiro aos cofres do clube. Dinheiro para montar times mais fortes e ganhar mais dinheiro, mais torcedores, mais títulos. É um ciclo vitorioso que precisamos iniciar, aproveitar a oportunidade que temos aqui e fazer história agora. Estamos prontos, maduros para sermos campeões e somente precisamos superar a nós mesmos e a todos os outros. Parece difícil ? Ainda bem, porque se fosse fácil não seria o Botafogo.

Parabéns pra você !

Publicado originalmente em 04/03/2013 no blog Sem Goleiro

Eu poderia começar dizendo que o nome do jogo de ontem foi o nosso goleiraço Jefferson. Poderia até dizer que foi o Julio Cesar que marcou um gol providencial e essencial para a vitória. Talvez, até pudesse forçar a barra e eleger o gênio holandês como o nome do jogo... Mas não. Não posso fazer isso ! Seedorf, apesar de essencial, não estava em seus melhores dias e mesmo com uma ou duas jogadas geniais, errou alguns passes. Julio Cesar fez o gol e apenas isso e Jefferson, sim, esse foi brilhante, com duas defesas mágicas. Mas infelizmente nem assim eu posso elegê-lo como o dono do jogo de ontem. Porque este, meus amigos, foi ninguém menos que o nosso craque das seleções de 78, 82 e 86, Zico !! Sim ! O Galinho de Pé Frio. Então, para não perder a tradição, vamos à ficha do craque !


Zico

Nome: Arthur Antunes Coimbra
Nacionalidade: Brasil / Portugal
Data de Nascimento: 03/03/1953 (Fez 60 anos ontem ! Espero que tenha gostado do presente)
Posição: Meia (Preferencialmente de lã, para esquentar os pés)
Pé Preferencial: Destro (É o menos frio)
Peso com a camisa de Clube: 71 Kg
Peso com a camisa da Seleção: 156 Kg
Altura: 1,73 m
Clubes:
Flamengo
Udinese
Kashima Antlers

Títulos pela seleção em Copas do Mundo:
         Descaradamente Eliminado da Copa do Mundo de 1978
         Honrosamente Eliminado da Copa do Mundo de 1982
         Bisonhamente Eliminado da Copa do Mundo de 1986
         Vice Campeão como Supervisor Técnico da Copa do Mundo de 1998


Ontem esse gênio do futebol nos brindou com mais uma dose do seu maior talento, mesmo aposentado e com a agenda cheia devido a inúmeras comemorações dos seus calorosos (!?) 60 anos, Zico achou um tempinho para resfriar a galera rubro negra que compareceu em peso ao Engenhão. Sorte que eles estavam bem aquecidos com o lençol dado pelo Rafael Marquez (hahahahha, desculpem, mas tomar lençol do Rafael Marquez é algo inacreditável !).
Mas saindo das arquibancadas e indo para o gramado impecável do Engenhão, tivemos uma sensação de deja vu (eu sei, isso é coisa de tricolor, mas fazer o que ? Aconteceu !). O jogo de ontem foi muito parecido com o do primeiro confronto da Taça Guanabara, só que ao contrário. Dessa vez foi o Glorioso que entrou ligado e marcou logo no início, jogando a vantagem do empate do adversário pelo ralo. Daí pra frente o Flamengo se lançou ao ataque desordenadamente, assim como o Botafogo havia feito no primeiro jogo. O Botafogo tratou de se defender ferozmente, da mesma forma que o Flamengo havia feito anteriormente, e conseguiu matar o jogo já no apagar das luzes após ter perdido chances inacreditáveis. A diferença ? Esse jogo valia alguma coisa. Não muito, mas valia.
Agora vamos buscar a vaga na final do campeonato para poder ter mais tranquilidade de trabalhar o elenco para o Campeonato Brasileiro.


Elogio

A camisa foi bem feita, mas o futebol... (Foto: Jorge William/O Globo)
Apesar da rivalidade, queria registrar aqui um elogio à nova diretoria do Flamengo. Foi uma grata surpresa ver a camisa rubro negra de volta ontem ao invés dos já tradicionais macacões de Formula 1 em que se tornaram os uniformes de hoje em dia.
A camisa, que não consegue ser bonita devido a combinação nefasta das cores vermelho e preto, está leve, exibindo apenas uma marca do patrocinador, em branco, de forma a não agredir o uniforme e a história do clube. Além desta marca, apenas o escudo e o logo do fornecedor de material. Sem logotipos nos ombros e cores berrantes que não constam no estatuto do clube. Simples, comercial e tradicional. Parabéns !



O Penetra
 
         


Já que não pude elegê-lo o Dono do Jogo, devido a gélida atuação do Canelinha de Vidro, resolvi fazer uma menção de honra e dar o prêmio de O Penetra para o nosso paredão Jefferson.
Ele fez de tudo ontem, defesas espetaculares em sequencia, com as mãos e com os pés, foi absoluto pelo alto também, o que não é um dos seus pontos fortes.
E para completar a atuação e estragar de vez a festa do Zico, mijou no ponche e armou um contra-ataque mortal, com um lançamento preciso de mais de 40 metros para o Gabriel na jogada do segundo gol.


Apelo

Osvaldo, faço aqui um apelo. Não à sua inteligência, porque sei que você escalar o Rafael Marquez nada tem a ver com achar que ele é bom. Também não apelo para o seu coração, pois sei que este irá congelar antes que pulse pelo Fogão. Mas faço este apelo à sua consciência esportiva ! Pelo respeito que você tem ao esporte que lhe deu tudo na vida, tire o Rafael Marques do time ! Nós nem nos importamos que ele fiquei aí, no clube, mamando nas testas dos cofres alvinegros, mas por favor, bote ele pra treinar em separado, para trocar as lâmpadas dos refletores do Engenhão, ou qualquer outra coisa que lhe convenha, mas no time não !!!

Ser ou não ser...


Publicado originalmente em 26/02/2013 no blog Sem Goleiro

Hoje disseram para mim: “Ser botafoguense deve ser muito difícil !”.
Concordo com você, é muito difícil, e digo mais, felizmente é difícil, porque senão, que valor teria ? Heróis não são forjados em cadeiras acolchoadas, ambientes climatizados ou em vitórias previstas. Não, eles nascem da dor, da adversidade, e de lá tiram o material que os tornam incansáveis, inexpugnáveis.
Hoje disseram para mim: “Ser botafoguense deve ser muito difícil !”.
E esta é a mais pura verdade ! Ser botafoguense não é algo trivial, como decidir qual carreira irá seguir ou se irá ou não pedir alguém em casamento. Não é algo simples como planejar ter um filho, tão pouco é algo fácil como escalar o Everest ou ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos.
Não, ser alvinegro é algo difícil, muito difícil. Não é para qualquer um ! Nem para qualquer alma.
Somos iluminados, somos escolhidos e por isso, mesmo sendo muitos, somos poucos.
Deus e a natureza (e o Seedorf) sabem o que fazem. Não se acha um Botafoguense a cada esquina, não o encontra em um cinema perto de você, não se trás nem se faz em três dias.
Fomos concebidos, idealizados, escolhidos a dedo. Somos raros, e como tal, preciosos. Seria muita covardia permitir que indivíduos da massa arco-íris assumissem esse legado. Não, não estão preparados, não possuem os requisitos, nem a estrutura necessária. Talvez, e eu disse, apenas talvez, após algumas vidas, chegue o dia em que estejam prontos e aí, os receberemos como irmãos, mas este dia não é hoje ! Hoje nós somos raros, somos únicos, especiais e lutaremos, até o último minuto para honrar este dom, nosso legado. E quando o apito indicar a hora final, celebraremos.
Hoje disseram para mim: “Ser botafoguense deve ser muito difícil !”.
Sim, é ! E eu tenho pena de quem não consegue ser.

sábado, 25 de maio de 2013

Choro Alvinegro

Publicado originalmente em 04/02/2013 no blog Sem Goleiro


Dono do Jogo
Nome: Clarence Clyde Seedorf 
Nascimento: 01/04/76 
Local: Paramaribo (Suriname) 
Peso: 76 kg 
Altura: 1,76m 
Times: Ajax, Sampdoria, Real Madrid, Inter de Milão, Milan. 
Títulos: Mundial de Clubes: (Real Madrid 1998, Milan 2007); UEFA Champions League: (Ajax 1994/95, Real Madrid 1997/98, Milan 2002/03, 2006/07); Supercopa da UEFA: (Milan 2003, 2007); Campeonato Holandês: (Ajax 1993/94, 1994/95); Super Copa da Holanda: (Ajax 1993, 1994); Copa da Holanda: (Ajax 1992/93); Campeonato Espanhol: (Real Madrid 1996/97);Supercopa da Espanha: ( Real Madrid 1997); Campeonato Italiano (Milan 2003/04); Supercopa da Itália (Milan 2004);Copa da Itália (Milan 2002/03)

Ver um botafoguense chorando nos últimos anos virou motivo de piada para os torcedores rivais desde o ridículo episódio do choro do Cuca. Ontem porém outras lágrimas molharam o manto alvinegro. Lágrimas sagradas, de um gênio do futebol, que encontrou redenção e alívio para a sua dor em um simples jogo, uma simples vitória, em um campo de várzea, na longínqua cidade de Macaé. E é justamente aí que reside toda a genialidade deste que ontem demonstrou mais uma vez que ser um craque de futebol vai muito além de jogadas de efeito e campanhas publicitárias e que assim como Pelé, Garrincha, Zidane e poucos outros, consegue entender que nenhum palco, nenhum desafio é pequeno demais para quem possui o dom de ser a alegria do povo.

Seedorf foi o dono do jogo, não pelos três gols marcados, seu primeiro hat-trick na carreira, nem pela raça exibida no primeiro, muito menos pelos passes e lançamentos perfeitos. Também não foi pelo corte de um cruzamento com o peito, seguido de uma arrancada e um lançamento de 30 metros milimétrico que originou o segundo gol. Ouso dizer também que não foi pela genial cobrança de penalti do terceiro gol, com o peito do pé, perfeita. Uma cobrança que pouquíssimos jogadores seriam capazes de fazer, raríssimos ousariam fazer e apenas ele fez.
Mas não meus amigos, o jogo a ele pertenceu porque ele assim o quis, simples assim, quis e tomou para si, com a humildade e simplicidade inerente aos gênios do futebol.


Pede música


Ontem, ao ser informado pelo repórter que poderia pedir uma música para ser tocada no Fantástico, o craque, em sua humildade pediu One Moment in Time... Aqueles que tiverem paciência para ler a tradução perceberão como se constrói um craque no campo e na vida. Taí então Sidão !



Um Instante No Tempo

Cada dia que vivo
Eu quero que seja um dia para dar o melhor de mim.
Eu sou única mas não [estou] sozinha,
Meu melhor dia ainda não é conhecido.
Eu quebrei meu coração por cada ganho,
Para provar o doce eu enfrentei o sofrimento.
Eu levanto e caio, mesmo assim, em meio a tudo, isto persiste...
Eu quero
Um instante no tempo,
Quando eu for mais do que pensei que poderia ser,
Quando todos os meus sonhos estiverem a uma batida de coração de distância
E as respostas couberem todas a mim...
Conceda-me um instante no tempo,
Quando eu estiver correndo com o destino,
Então, naquele instante do tempo,
Eu sentirei, eu sentirei a eternidade...
Eu tenho vivido para ser a melhor,
Eu quero tudo, não há tempo para menos.
Eu tracei os planos,
Agora tenho a chance aqui nas minhas mãos.
Conceda-me


Refrão

Você é um vencedor durante uma vida
Se você aproveitar aquele instante no tempo,
Faça-o brilhar...
Conceda-me



AVANTE FOGÃO !

O bom filho à casa torna.


Publicado originalmente em 27/10/2011 no blog Resenha de Boteco

Bem amigos da Rede Globo ! Estamos a partir de agora, ao vivo, direto do Rio de Janeiro, na festa de reinauguração do Maracanã. De um lado a Seleção Brasileira, escalada com Julio Cesar, Daniel Alves, David Luiz, Lucio e Marcelo; Sandro, Lucas, Hernanes e Kaká; Pato e Robinho. Do outro a Seleção do Brasil com Jefferson, Mariano, Dedé, Réver e Cortês; Paulinho, Elano, Ganso e Ronaldinho Gaúcho; Leandro Damião e Neymar.

Tirando o Galvão, seria um belo jogo, não ? Sei que muitos iriam preferir o Willians ao Paulinho, ou então o Fred ou Borges ao Damião, outros mais ousados vão exigir o Thiago Neves no lugar do Elano, mas em uma coisa todas essas vozes irão concordar: o grito de gol será pela Seleção do Brasil ! Sim, a seleção escalada com os jogadores que vemos toda quarta e domingo desfilando pelos gramados esburacados dos estádios brasileiros que não serão palcos da Copa de 2014. Torceríamos pelos jogadores que nos dão argumentos para sacanear aquele seu amigo vascaíno ou o seu chefe flamenguista.
E por que iremos torcer por esta equipe e não pela Seleção escalada com os craques “europeus” ? Patriotismo ? Com certeza que não ! Clubismo, isso sim !

O torcedor brasileiro é clubista de nascença, está em nosso sangue, amamos nossa rivalidade clubística como amamos o próprio futebol. Sem a rivalidade estadual o futebol seria um bem mais sem graça para o brasileiro.
Farei uma confissão: Eu não sei torcer pela seleção no estádio ! Também pudera, nos últimos 20 anos a Seleção Brasileira jogou no Rio de Janeiro apenas 9 vezes, e isso contando amistosos e jogos oficiais ! Destes 9 jogos, eu assisti a apenas 1 ! Brasil 5 x 0 Bolívia em 2000. Apesar dos 5 gols, volto a confessar, foi estranho ! Estamos acostumados a torcer com os gritos de guerra criados pelas nossas torcidas, os hinos dos nossos clubes, gritos guturais de FOGO, MENGO, NENSE e VASCO que fazem o mais frio dos jogadores correr e suar a camisa pelo nossos times. Não sei vocês, mas me sinto ridículo ao tentar incentivar a seleção, com jogadores que eu mal sei como chegaram lá, gritando “Eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor” ou então fazendo Ola.
Ta certo ! A culpa de termos músicas ridículas para torcer pela seleção não é dos jogadores, nem do técnico e nem da CBF e sim da torcida.... será ?
Porque não temos essa cultura de torcer pela seleção ? Porque um simples “Sou Bo-Ta-Fo-Go” ou “Oh meu Mengão eu gosto de você” emociona e significa muito mais do que dizer que é brasileiro com muito amor e muito orgulho ?
Será porque a seleção joga tão pouco no nosso país que passou a ser também para nós brasileiros, o que era para o resto do mundo ? Uma espécie de Harlem Globetrotters ? Nesse caso a seleção teria que encantar em suas apresentações. Dar show, fazer gols, muitos e belos ! Mas isso não acontece ! Dizem que é porque o futebol está nivelado, porque não tem mais bobo no futebol... tá certo, vamos fingir que acreditamos.
Pode ser também que seja por que não sentimos nos próprios jogadores, esse orgulho de vestir a camisa amarela. A Seleção Brasileira hoje é formada pelos torcedores de 15 anos atrás. Uma geração que cresceu longe da camisa canarinho. Vendo pela televisão os jogos contra equipes medíocres nos estádios magníficos da Europa. A Seleção do Brasil, que nos encantou até 1982, perdeu sua identidade, se distanciou de sua torcida, e com isso perdeu sua alma, seu encanto. Tornou-se uma sombra pálida da sua tradição, truculenta, esnobe sem paixão, virou apenas a Seleção Brasileira.
O que faltou as Seleções dos Lazaronis, Parreiras e Dungas não foi jogador habilidoso, nem esquema tático. O que faltou foi jogador brasileiro ! Foi o torcedor brasileiro. Foi o Brasil !
Dizem que o brasileiro não é um povo patriótico. Pode ser verdade, mas queremos ser ! Essa é uma questão complexa que envolve mais do que futebol, mas no final das contas queremos ser ! Já perceberam como os momentos mais emocionantes dos últimos jogos da seleção no Brasil é o Hino Nacional ?
Queremos torcer para a Seleção do Brasil, da mesma forma que torcemos para os nossos clubes, queremos nos identificar com a Seleção do Brasil e com suas cores, como nos identificamos com o preto, branco o vermelho e o grená.
Temos em 2014 uma ótima oportunidade para tentarmos a reconciliação, para diminuir o abismo de indiferença criado nesses últimos 30 anos. Corremos o risco de sediar a primeira Copa da História sem donos da casa, com uma seleção órfã.

O primeiro passo é devolver a seleção ao Brasil, precisamos dar nomes a serem gritados, rostos conhecidos, identificados com os torcedores, precisamos de jogadores do Flamengo, do Vasco, do Corinthians, São Paulo, Santos, Botafogo. É claro que precisamos também do Kaká, do Pato, mas estes não podem ser maioria, precisam sentir que estão em uma seleção brasileira, que come feijão com arroz, que voltaram para casa, quando vestirem a camisa canarinho. Depois precisamos permitir que o povão vibre, se afeiçoe, veja nosso esquadrão, com mais jogos em solo brasileiro e preços mais acessíveis. Precisamos que nos seja permitido fazer campanha no twitter para que o Jefferson seja titular do gol brasileiro, que possamos xingar o Mano quando ele não colocar o Thiago Neves no lugar do Ganso ou Damião no lugar do Pato, precisamos que nossos ídolos do dia a dia esfreguem os nomes de nossos clubes, nossas cores na cara do mundo. Para que este volte a se lembrar quem é a Seleção Canarinho, e que ela é formada por paixão, orgulho, magia e talento e principalmente por brasileiros !

Mistérios do Botafogo – Garantindo o Resultado

Publicado originalmente em 18/10/2011 no blog Resenha de Boteco


Nenhum outro esporte no mundo seduz tanto o seu espectador como o futebol. A magia de ver uma bola explodir na trave 4 infinitas vezes no mesmo lance teimando em não entrar não importando quantos milhões de dólares custaram os pés que a atingiam no afã do gol ou a assombrosa e inacreditável trajetória assumida pela bola, ao ser atingida por um canhão em forma de pé, para então cruzar a linha do gol no único ângulo em que nenhum goleiro humano conseguiria chegar a tempo. Realmente o futebol é um esporte de muitos mistérios.
Um destes, particularmente, vem me incomodando e, acredito a boa parte dos torcedores do Fogão. O chamado “garantir o resultado”.
Duas equipes entram em campo para se enfrentar. São 11 jogadores de cada lado. O jogo começa e logo uma das equipes mostra-se melhor organizada, mais eficiente, envolvente, perigosa. A torcida grita, incentiva, o adversário fica tonto, vendo as jogadas de velocidade pelos flancos, chutes envenenados são postos à escanteio. Até que o inevitável acontece. Um, dois, às vezes até três gols de vantagem. Partidas épicas já registraram confortáveis quatro gols de diferença entre caçador e a sua presa.
Então, o fenômeno acontece. Inexplicavelmente, aquela equipe superior, que encontrara a forma perfeita para destruir seu adversário, pára de jogar. Abdica da posse de bola, da criação de jogadas, do controle do jogo para tentar defender a vantagem atrás das muralhas de sua defesa.
Pois bem, a caça, até então assustada e acuada, percebe que seu perseguidor resolveu tirar uma soneca. O goleiro percebe que não precisa mais dar bicões, pois seus zagueiros não estão mais sendo pressionados e a bola consegue chegar mais facilmente ao responsável pela criatividade do time. Este por sua vez encontra espaço, tempo e opções. Seus implacáveis marcadores estão agora recuados, na meia lua defensiva, garantindo que dali a bola não passará. Mas eles estão enganados, pois ela passará, eventualmente passará, pode levar, 5, 10 ou 45 ou 90 minutos, mas eventualmente passará. E a cada bola que furar este bloqueio e encontrar o fundo das redes será uma rachadura cada vez maior na muralha de covardia erguida em cima de uma vantagem conquistada com tanta coragem. Até que perante os olhos de uma torcida estupefata o muro cairá e o empate, ou até mesmo a derrota estará decretada.
Foi assim contra o Bahia no primeiro turno, contra o São Paulo no Engenhão, até mesmo contra o Flamengo. Envolvemos o adversário construímos a vantagem e então, misteriosamente abdicamos do jogo. Fizemos o mesmo contra o Corinthians e Atlético-PR, mas felizmente, nestes dois casos a bola precisou de mais de 45 minutos para achar nossas redes. Foram seis pontos jogados fora, e outros 4 ganhos com o dedo apontado para a cara da sorte. Esses números mostram um padrão preocupante para uma equipe que pretende ser campeã. Não podemos zombar e abusar tanto dessa amiga tão pouco presente em nossa história. Precisamos nos manter alertas, no controle durante os 90, 98 minutos de jogo. Precisamos saber o que fazer com as vantagens construídas tão regularmente.
Sei que este comportamento não é exclusivo do nosso esquadrão alvinegro, sei que outros postulantes cometem o mesmo erro. Sei também que naturalmente o adversário em desvantagem no marcador, normalmente busca uma atitude mais agressiva, na tentativa de sair da situação crítica em que o adversário o colocou. E foi justamente para estes momentos que foi inventado o contra-ataque. Quando o adversário, ferido, desesperado lança-se ao ataque, muitas vezes desordenadamente, abrindo espaços em sua retaguarda. Golpes precisos, rápidos, gols e mais um gol até que reconhecendo a derrota o adversário substitui um atacante ou um meia, por um zagueiro e passa a dar bicões na bola rezando para que o tempo passe rápido.
O título está a nossa mercê. Temos as armas perfeitas: um elenco forte, uma defesa segura, volantes e meias habilidosos e velozes e um atacante frio e matador, só precisamos que nosso treinador entenda que é preciso que o time saiba como jogar em situações de vantagem no marcador, treine como contra-atacar. Precisamos que ele entenda o contra-ataque não é a arma dos que jogam defensivamente, mas sim dos que jogam com inteligência.